"Just breath."


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Um tudo iludido


o sei por onde começar, talvez pelo início, pelo meio, pelo fim... Sei apenas que "o tudo é nada, que é tudo".

Fomos vida, fomos ar respirável, fomos luz, fomos noite e fomos dia..sei que sei que tudo fez sentido, não mais que o sentido da vida, mas mais que o sentido da palavra. Fomos união, fomos mãos e pés.

Fomos tudo, somos nada. Tudo se resume ao nada, ao nada de ar, ao nada de luz, ao nada.
Existe uma panóplia de tudos e de nadas que podíamos ser, mas não somos, não que entenda o porquê, mas que é real, é.
Somos a prova que a luta existe, que o amor existe, que a coragem existe, mas somos a prova viva da saturação,  somos o real e o imaginário juntos, não sei se entendo bem a razão, mas somos. Lutámos enquanto o dia se fazia, amamos a amizade enquanto a noite se fazia, encorajamo-nos enquanto a luz iluminava, mas ..mas agora não haverá um nós, porque haverá um eu, apenas um eu, um eu saturei enquanto uni duas vidas, eu lutei, eu amei e dei amor, eu fui corajosa, eu encorajei, mas eu saturei enquanto a noite e o dia se viraram, enquanto a luz se apagava, enquanto a força acabava.
A vida é um nada, no meio de um tudo, e esta só é algo, quando fazemos por isso, e foi, vivemos, vivemos dias seguros, inseguros, bons e maus, mas vivemos.
Imaginei tanto, talvez até tenha sonhado demais, mas o que é a vida sem um sonho? Nada, que é tudo, mas que não deixa de ser nada. Imaginava-me sozinha a relembrar tudo, mas com um sorriso no rosto, hoje relembro tudo, junto do parapeito da janela, com um olhar triste e lágrimas sobre esse mesmo.. Não sei onde anda esse tudo, nem o nada, mas sei que hoje deixei de ter, o que a vida me reservou em primeira linha de bingo. Um jogo, porquê um jogo, talvez a minha vida fosse um jogo, ou talvez esta amizade fosse um jogo disfarçado de real.
Não vejo sentido, não quero fazer sentido aliás, quero antes dizer estas palavras como se fossem um tesouro num baú.
Senti-me um cobertor em muito tempo seguido, senti-me apenas uma máquina, apenas uma cábula..sentia-me aquilo que não era, e o que era eu afinal? Um nada.
Apenas fui, serei, um nada, que se libertou, deixando perguntas pendentes, sem obtenção de respostas.
Somente depois de tudo, e depois tudo, me apercebo do que fui, do que sou e do que serei para sempre, aquele nada.
No final, porque tudo isto é o final, só restam pequenas palavras, formando frases interrogativas que completaram, uma pessoa pequena, coberta de dor, mas com coragem de viver.
"Será que era eu que gostava tanto dela e que não via o que me rodeava? Que não me apercebia que só ela e ela interessavam, que ela não via que eu estava mal e que vocês do lado de fora é que viam? Pois..havia muita coisa que eu encobri por aquela amizade, para que ela durasse.."
Ao longo deste tempo, até ganhar coragem de escrever tudo isto, apercebi-me de que tudo, não passou de nada, e que eu sempre fui cobrir algo que me prejudicou , mas que eu fazia por amizade, por gostar tanto de ti, cometia atos sem pensar em mais nada e vivi anos de uma vida, que não deito fora, mas que levo comigo, uma grande lição.
Para todos os que apoiaram, um obrigado, para todos os que incentivaram, obrigado, e para todos os que me tentaram abrir os olhos e eu rejeitei ver, obrigado.

Para todos, um obrigado, aquele obrigado de vida.

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